Defesa de Dissertação de BRUNA DANIELE RIBEIRO FIRMINO - Curso: Mestrado em Demografia

Calendário
Defesas
Data
11.02.2019 2:00 pm - 5:30 pm

Descrição

Defesa de Dissertação do Programa de Pós-Graduação em Demografia/CEDEPLAR/FACE/UFMG

Aluna: Bruna Daniele Ribeiro Firmino

Título: “Agora não estou mais só: o papel das uniões e dos filhos no comportamento de saúde masculino”

Data da Defesa: 11/02/2019 (segunda-feira)

Horário: 14h00

Orientadora:     Profa. Raquel Zanatta Coutinho (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Coorientadora: Profa. Ana Paula de Andrade Verona (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Banca Examinadora:     

Profa. Raquel Zanatta Coutinho (Orientadora) (CEDEPLAR/FACE/UFMG)                                        

Profa. Ana Paula de Andrade Verona (Coorientadora) (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Prof. Bernardo Lanza Queiroz (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Profa. Maria Carolina Tomás (PUC-MG)

Local da Defesa: Auditório Rodrigo Ferreira Simões - FACE/UFMG - CAMPUS PAMPULHA

RESUMO: No Brasil, observa-se uma persistente disparidade entre as taxas de mortalidade femininas e masculinas. Nesse sentido, faz-se importante analisar os determinantes e fatores associados à mortalidade e morbidade no caso brasileiro, especialmente no caso do sexo masculino. Ressalta-se que a estrutura familiar atua como um dos principais determinantes para o bem-estar e saúde individual. A maioria dos estudos aponta para uma relação positiva entre as uniões conjugais, a paternidade e o status de saúde – sobretudo masculino - em decorrência, principalmente, da atuação de fatores protetivos e maximização de recursos econômicos. Outros autores, por sua vez, baseiam-se na hipótese do efeito de seleção para explicação da vantagem dos indivíduos unidos com relação aos solteiros no que tange à saúde. Nessa perspectiva, os indivíduos saudáveis seriam mais atrativos e, conseqüentemente, mais propícios a ingressar em uma união. Pautado nas perspectivas de atuação de efeitos protetivos e seletivos, este trabalho possui três objetivos. O primeiro objetivo é analisar a ocorrência de comportamentos de risco selecionados (consumo excessivo de bebida alcoólica, tabagismo e direção perigosa) por status marital e propensão à união (formal ou informal) entre homens brasileiros de 25 a 39 anos. O segundo objetivo consiste na identificação de mecanismos pelos quais as uniões e a paternidade atuam na transformação ou manutenção comportamento de saúde masculino (consumo excessivo de bebida alcoólica, tabagismo, direção perigosa, higiene, vacinação) de homens da faixa etária supracitada. O terceiro objetivo do estudo é a identificação de pessoas e instituições que atuem como agentes de regulação e controle na saúde desses homens. Para responder aos objetivos, o estudo faz uso de técnicas quantitativas e qualitativas de análise. Utilizou-se o propensity score stratification para o cálculo da ocorrência dos comportamentos por estrato de propensão à união (formal e informal). Além disso, foram realizadas 20 entrevistas em profundidade com homens unidos com e sem filhos, de diversos status socioeconômicos no município de Belo Horizonte. Resultados da análise quantitativa sugerem um melhor comportamento de saúde por parte dos indivíduos formalmente unidos se comparados aos coabitantes e solteiros. Diferenças entre o grupo de coabitantes e solteiros, no entanto, não foram significativas. A identificação da atuação de mecanismos protetivos em ambos os tipos de união, formal e informal, na pesquisa qualitativa sugere que parte das diferenças entre esses grupos sejam decorrentes de atributos pré-maritais e atuação do efeito de seleção para ingresso em uniões informais. Esta seleção, ao contrário da relatada para o ingresso em uniões formais, atuaria de forma que os indivíduos com práticas negativas de saúde fossem mais propensos a ingressarem em uma coabitação. A identificação de tarefas domésticas relacionadas ao comportamento de saúde que são realizadas majoritariamente por mulheres ou que são de exclusividade feminina corrobora os padrões de gênero ainda marcados pela desigualdade no âmbito familiar. O mecanismo de compromisso interpessoal relacionado às cônjuges e aos filhos foi associado a transformações quanto à percepção de risco de realização de comportamentos considerados prejudiciais à saúde. Outros agentes de regulação, como a participação das sogras na dinâmica familiar e atuação da religião, mostraram-se relevantes para a transformação ou manutenção do comportamento de saúde na amostra analisada. A identificação da atuação de mecanismos causais na correlação usualmente positiva entre os processos de formação de família e o comportamento de saúde minimiza a hipótese de que esta correlação se daria exclusivamente em decorrência do efeito de seleção de indivíduos saudáveis.

ABSTRACT: In Brazil, there is a persistent disparity in female and male mortality rates. In this context, it is important to analyze the determinants and factors associated with health outcomes. It is known that  family structure acts as one of the main determinants for individual well-being and health. Most studies show a positive association between marriage and union, parenthood and health status - especially for males - as a result of protecting factors and maximization of resources. Other authors, alternatively, explain the advantage of married and cohabitors in relation to health as a selection effect. From this perspective, healthy individuals would be more attractive as marital partners, and consequently, more likely to join a marital union. Based on both perspectives, this thesis has three objectives. The first objective is to analyze the occurrence of some selected risk behaviors (excessive alcohol consumption - binge drinking, cigarette smoking and reckless driving) by marital status and propensity to join an union (marriage or cohabitation) among Brazilian men aged 25 to 39 years; The second objective is the identification of mechanisms by which unions and parenthood act in the transformation or maintenance of male’s health behavior (excessive alcohol consumption, cigarette smoking, reckless driving, diet, and hygiene) at the same age group mention above; The third objective is the identification of people and institutions that work as agents of regulation and control in these men’s health. The study was carried out using quantitative and qualitative techniques. Propensity score stratification was used to calculate the occurrence of selected behaviors by stratum of propensity to join an union (formal and informal). In addition, 20 in-depth interviews were conducted with men, parent and non-parent, of different socioeconomic status in the city of Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil. Results of the quantitative analysis suggest that formally married individuals present a better health behavior when compared with cohabitors and single men. Differences between the group of cohabitants and singles, however, were not significant. The identification of the performance of protectives mechanisms in both types of union, formal and cohabitation, in qualitative research, however, suggests that part of the differences between these groups are due to premarital attributes and the selection effect for joining informal unions. The selection into cohabitation drive individuals with negative health practices into informal unions. In any type of union, domestic tasks related to health behavior are usually carried out by women, corroborating the gender patterns still marked by inequality in the family context in Brazil. The mechanism of interpersonal commitment - in regards to spouses and children - was associated with perceiving harmful behavior as risky to health. Other regulatory agents were found to be relevant for the transformation or maintenance of health behavior in the sample analyzed: the participation of the mother in law in the household dynamics, and the religious engagement at church. The results suggest the operation of causal mechanisms in the usually positive correlation between family formation processes and health status, which minimizes the hypothesis that this correlation would occur exclusively due to the selection effect.