Defesa de Dissertação de VICTOR MEDEIROS - Curso: Mestrado em Economia

Calendário
Defesas
Data
19.02.2019 2:30 pm - 6:00 pm

Descrição

Defesa de Dissertação do Programa de Pós-Graduação em Economia/CEDEPLAR/FACE/UFMG

Aluno: Victor Medeiros

Título: “INFRAESTRUTURA, POBREZA E DESIGUALDADE: uma aplicação para o caso brasileiro a partir de modelos hierárquicos e espaciais”

Data da Defesa: 19/02/2019

Horário: 14h30

Orientador: Prof. Rafael Saulo Marques Ribeiro CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Coorientador:   Prof. Pedro Vasconcelos Maia do Amaral

Banca Examinadora:     

Prof. Rafael Saulo Marques Ribeiro (Orientador) (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Prof. Pedro Vasconcelos Maia do Amaral (Coorientador) (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Prof. André Braz Golgher(CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Profa. Flávia Lúcia Chein Feres(UFJF)

Local da Defesa: Auditório nº 3  – Bloco de Seminários - Prédio da FACE/UFMG - CAMPUS PAMPULHA

RESUMO: A infraestrutura é apontada como uma ferramenta de mudança estrutural na economia, visto que aumenta a produtividade, conecta mercados, expande o comércio e a transmissão de informação e alarga o acesso da população a bens essenciais como água e energia. A infraestrutura no Brasil possui diversas deficiências, as quais incluem insuficiente oferta, precária qualidade e limitado acesso da população aos serviços prestados. O caso brasileiro ainda apresenta imensas discrepâncias regionais e de renda, as quais contribuem para uma infraestrutura desigualmente distribuída em termos territoriais e populacionais. Uma vez que essas infraestruturas tendem a se concentrar em localidades mais ricas e urbanizadas, regiões e populações mais pobres podem ser excluídas dos benefícios dos investimentos em infraestrutura, o que, por sua vez, pode impactar a desigualdade de renda e a pobreza entre e dentro de regiões, estados e cidades. O principal objetivo deste trabalho é verificar se a oferta de infraestrutura afeta a pobreza e a desigualdade de renda em um contexto profundamente marcado por notáveis heterogeneidades espaciais como o caso da economia brasileira. Um avanço deste estudo está na união de uma abordagem econométrica que adiciona possíveis heterogeneidades e dependências espaciais, por meio da utilização de modelos hierárquicos e espaciais, e uma estratégia de medição multidimensional da infraestrutura que inclui diversas características (oferta, qualidade e acesso) e setores (transportes, energia, telecomunicações e saneamento básico). Esta modelagem ainda não havia sido aplicada em estudos sobre infraestrutura, desigualdade de renda e pobreza. Utiliza-se dados sobre pobreza domiciliar e desigualdade de renda municipal do Censo Demográfico de 2010, enquanto os indicadores de infraestrutura municipal e estadual são captados a partir de diversas fontes de dados. Os resultados da pesquisa permitem dizer que a infraestrutura se correlaciona negativamente com a pobreza e a desigualdade de renda.  Os resultados deste estudo também reforçam a importância de se considerar heterogeneidades entre setores e entre características da infraestrutura, uma vez que a qualidade e, principalmente, o acesso amplificam a correlação negativa entre oferta de infraestrutura, desigualdade e pobreza. Os modelos econométricos indicam heterogeneidades espaciais na medida de pobreza domiciliar, bem como apontam para heterogeneidades e dependências espaciais na medida de desigualdade de renda municipal, indicando uma boa adequação da abordagem proposta à realidade brasileira. Dessa forma, os resultados sugerem que políticas públicas destinadas à expansão das infraestruturas com incrementos de qualidade e, principalmente, maior acesso da população às mesmas, são importantes para que se alcancem menores níveis de pobreza e desigualdade de renda no país.

 

Palavras Chaves: Infraestrutura, desigualdade de renda, pobreza, Brasil, abordagem espacial.

 ABSTRACT: Infrastructure is seen as a tool for structural change in the economy, as it increases productivity, connects markets, expands trade and the transmission of information, and broadens the population access to essential goods such as water and energy. The infrastructure in Brazil has several deficiencies, which include insufficient supply, precarious quality and limited population access to the services provided. The Brazilian case still presents immense regional and income discrepancies, which contribute to an unequally distributed infrastructure in territorial and population terms. As these infrastructures tend to be concentrated in richer and more urbanized areas, poorer regions and populations may be excluded from the benefits of infrastructure investments, which in turn may impact income inequality and poverty between and within regions, states and cities. The main objective of this work is to verify if the provision of infrastructure affects poverty and income inequality within a context deeply marked by salient spatial heterogeneities as the case of the Brazilian economy. A contribution of this study is the union between an econometric approach that includes possible heterogeneities and spatial dependencies, through the use of hierarchical and spatial models, and a strategy of multidimensional measurement of infrastructure that includes different characteristics (supply, quality and access) and sectors (transportation, power, telecommunications and sanitation). This modeling had not yet been applied in studies on infrastructure, income inequality and poverty. Data about household poverty and municipal income inequality from Demographic Census of 2010 are used, while municipal and state level infrastructure indicators are captured from several data sources. The results of the research allow us to say that infrastructure correlates negatively with poverty and income inequality. Our findings also stress the importance of accounting for heterogeneities between sectors and infrastructure characteristics, since quality and especially access tend to amplify the negative correlation between infrastructure supply, income inequality and poverty. The econometric models indicate spatial heterogeneities in the measure of household poverty, as well as point to heterogeneities and spatial dependences in the measure of municipal income inequality, thus suggesting a good fit of the proposed approach to the Brazilian case study. Therefore, the results suggest that public policies aimed at expanding infrastructures with increased quality and, especially, greater population access to them, are important for achieving lower levels of poverty and income inequality in the country.

Keywords: Infrastructure, income inequality, poverty, Brazil, spatial approach.

 RESUMEN: La infraestructura es vista como una herramienta para el cambio estructural en la economía, ya que aumenta la productividad, conecta los mercados, expande el comercio y la transmisión de información y amplía el acceso de la población a bienes esenciales como el agua y la energía. La infraestructura en Brasil tiene varias deficiencias, que incluyen oferta insuficiente, calidad precaria y acceso limitado de la población a los servicios prestados. El caso brasileño aún presenta inmensas discrepancias regionales y de ingresos, que contribuyen a una infraestructura de distribución desigual en términos territoriales y de población. Como estas infraestructuras tienden a concentrarse en áreas más ricas y urbanizadas, las regiones y poblaciones más pobres pueden quedar excluidas de los beneficios de las inversiones en infraestructura, que a su vez pueden afectar la desigualdad de ingresos y la pobreza entre las regiones, los estados y las ciudades. El objetivo principal de este trabajo es verificar si la provisión de infraestructura afecta la pobreza y la desigualdad de ingresos dentro de un contexto profundamente marcado por destacadas heterogeneidades espaciales como el caso de la economía brasileña. Una contribución de este estudio es la unión entre un enfoque econométrico que incluye posibles heterogeneidades y dependencias espaciales, mediante el uso de modelos jerárquicos y espaciales, y una estrategia de medición multidimensional de la infraestructura que incluye diferentes características (oferta, calidad y acceso) y sectores. (transporte, energía, telecomunicaciones y saneamiento). Este modelo aún no se había aplicado en estudios sobre infraestructura, desigualdad de ingresos y pobreza. Se utilizan datos sobre la pobreza de los hogares y la desigualdad de ingresos municipales del Censo Demográfico de 2010, mientras que los indicadores de infraestructura a nivel municipal y estatal se capturan de varias fuentes de datos. Los resultados de la investigación nos permiten decir que la infraestructura se correlaciona negativamente con la pobreza y la desigualdad de ingresos. Nuestros hallazgos también destacan la importancia de tener en cuenta las heterogeneidades entre los sectores y las características de la infraestructura, ya que la calidad y especialmente el acceso tienden a amplificar la correlación negativa entre la oferta de infraestructura, la desigualdad de ingresos y la pobreza. Los modelos econométricos indican heterogeneidades espaciales en la medida de la pobreza de los hogares, así como también indican heterogeneidades y dependencias espaciales en la medida de la desigualdad del ingreso municipal, lo que sugiere una buena adaptación del enfoque propuesto al estudio de caso brasileño. Por lo tanto, los resultados sugieren que las políticas públicas destinadas a ampliar las infraestructuras con mayor calidad y, especialmente, un mayor acceso de la población a ellas, son importantes para lograr niveles más bajos de pobreza y desigualdad de ingresos en el país.

 

Palabras clave: Infraestructura, desigualdad de ingresos, pobreza, Brasil, enfoque espacial.