Nota Técnica: Renda Básica Emergencial: uma resposta suficiente para os impactos econômicos da pandemia da COVID-19 no Brasil?

Débora Freire1, Edson Domingues1, Aline Magalhães1, Thiago Simonato2, Diego Miyajima2

1 Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica, Cedeplar-Face-UFMG
2 Doutorando, Cedeplar-UFMG

 

Nota Técnica: Atualização da Estimativa de Subnotificação em Casos de Hospitalização por Síndrome Respiratória Aguda e Confirmados por Infecção por Covid-19 no Brasil e Estimativa para Minas Gerais

Leonardo Costa Ribeiro1 e Américo Tristão Bernardes2

1Cedeplar-Face-UFMG
2Departamento de Física, UFOP
 
 

Nota Técnica: Cenários de isolamento social da COVID19 e impactos econômicos em Minas Gerais

Edson Domingues1, Gilvan Guedes1, Rafael Ribeiro1, Aline Magalhães1, Débora Freire1, Reinaldo Santos2, Monique Felix3, Jeferson Andrade3, Thiago Simonato4, Diego Miyajima4

1Cedeplar-Face-UFMG
2Assessor na Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e Doutor em Demografia pelo Cedeplar-UFMG
3Departamento de Estatística & EPOPEA | UFMG
4Doutorando, Cedeplar-UFMG


Sumário Executivo:

  • A flexibilização prematura do distanciamento social em Minas Gerais, em relação ao padrão que estava sendo adotado no estado, não é recomendada do ponto de vista econômico e social, tendo em vista os maiores custos à atividade econômica e a ausência de efeitos positivos relevantes que superem os impactos da crise.
  • Aplicamos neste trabalho uma metodologia que articula um modelo epidemiológico a um modelo econômico de dinâmica recursiva com temporalidade trimestral, específicos para o estado de Minas Gerais. Assim, os detalhes de cenários epidemiológicos podem ser utilizados em um modelo econômico e os efeitos na economia estimados ao longo do tempo.
  • Neste trabalho analisamos os efeitos de três diferentes estratégias de isolamento na economia de Minas Gerais. A primeira se baseia no adotado em MG desde os primeiros casos: “Distanciamento estendido”. O segundo pressupõe um “isolamento parcial”, e o terceiro adota a abolição total do isolamento, “Sem distanciamento”.
  • Os mecanismos de ajuste do modelo econômico utilizado procuram capturar os efeitos de ajustamento dos setores aos efeitos de perda de fator trabalho e produtividade, estimada no modelo epidemiológico. Há naturalmente um efeito de substituição de trabalho por capital, em especial nos setores que apresentam maior grau de substituição entre esses fatores, uma vez que o fator trabalho torna-se menos efetivo. Mas isso ocorre com a elevação de custos de produção, uma vez que a substituição imperfeita e defasada por capital implica que os setores enfrentarão elevação de custos.
  • A elevada taxa de desemprego sugere que há certa facilidade em conseguir mão de obra, mas com produtividade inferior à que estava ocupada e foi perdida com a pandemia. Assim, um efeito que não pode deixar de ser considerado nas análises é o impacto dos diferentes cenários de isolamento na produtividade da mão de obra e os custos incorridos à produção.
  • De acordo com nossos resultados, o cenário de “Distanciamento estendido” implicaria uma queda de -1% no PIB de Minas Gerais. O cenário “Sem distanciamento” resultaria em uma queda total no PIB do estado da ordem de -4,0% em relação ao cenário de referência.
  • Acabar com o isolamento eleva a perda na economia de Minas Gerais em cerca de R$ 50 bilhões de reais. O cenário de “Distanciamento estendido” equivaleria a uma perda de R$ 19 bilhões no PIB de Minas Gerais, enquanto que para o cenário “Sem distanciamento” essa perda seria de R$69 bilhões.
  • Os setores com maior impacto negativo seriam Serviços e Indústria, sendo que o cenário sem isolamento apresentaria a maior queda, seguida do isolamento parcial, por fim, do isolamento estendido. Em média, o impacto negativo no cenário de distanciamento social parcial seria 1,1 vezes o do cenário de “Distanciamento Estendido”. Quando essa relação é analisada entre os cenários “sem distanciamento” e “distanciamento estendido”, essa relação é de 1,8.
  • Cabe aos diferentes entes federativos (federal, estadual e municipal) a articulação de políticas governamentais para a manutenção e recuperação da renda e do emprego, de forma a amenizar os impactos na vida das pessoas, na economia e na saúde.
  • Estudos com diversos tipos de modelos, bem como a análise de dados da epidemia, tonam claro que os problemas econômicos (perda de renda, emprego, arrecadação de impostos) derivam preponderantemente da pandemia global da COVID-19, e não das medidas de isolamento. Em nenhuma situação real da pandemia no mundo se verificou menor impacto da crise com o relaxamento de medidas de isolamento.
  • Em artigo, seis pesquisadores da faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (Alves, et al., 2020), listam nove argumentos com a defesa de que ainda não é o momento de flexibilizar o isolamento social em Minas Gerais, pelas razões sanitárias. Reforçamos os argumentos dos pesquisadores, incluindo os impactos na economia.
  • O isolamento traz custos econômicos, mas abrir mão da única estratégia factível para as diversas regiões do país – o isolamento social - traz custos ainda maiores e mais deletérios tanto para a saúde como para o país. Não existe dilema entre saúde e economia: podemos recuperar a economia, mas não as vidas perdidas.

 

Nota Técnica: Análise das primeiras respostas políticas do Governo Brasileiro para o enfrentamento da COVID-19 disponíveis no Repositório Global Polimap

Fernanda Cimini1, Nayara Abreu Julião2, Aline de Souza2, João Victor Simões Ferreira3, Guilherme Rodrigues de Figueiredo3, Letícia Ferreira Gomes Garcia3, Rafael Tomagnini Hargreaves3 e Francesca Bagggia3.

1Professora Adjunta do Departamento de Ciências Econômicas da UFMG/CEDEPLAR.
2CEDEPLAR/UFMG.
3FACE/UFMG.

(Atualizado em 06/05/2020)


Resumo:

O estudo é resultado do primeiro levantamento das respostas políticas do Governo Brasileiro para o enfrentamento do coronavírus a partir dos dados disponíveis no Repositório Global de Respostas Políticas para o enfrentamento da COVID-19 - Polimap. Foram mapeadas 200 medidas implementadas pelo Governo Federal entre 31 de dezembro de 2019 e 15 de abril de 2020. O estudo conclui que o elevado número de políticas (Leis, MPs, Portarias, etc) não se traduz em intensidade, abrangência e convergência das respostas. Destacam-se como principais desafios: (i) ausência de uma política nacional coordenada para contenção da transmissão do vírus; (ii)  desalinhamento entre as medidas para aumento da capacidade de atendimento e as políticas para achatamento da curva; (iii) priorização da austeridade econômica sobre a mitigação social, com atraso e insuficiência nas respostas para a proteção da segurança financeira das famílias e (iv) dinâmica de governança  marcada não somente por conflitos dentro do Executivo e entre governo federal, autoridades estaduais e municipais, mas também pela falta de diálogo com sociedade civil e empresariado na tomada de decisão e monitoramento das ações.

Nota Técnica: Emissão de Moeda e Dívida Durante a Pandemia do COVID-19

Marco Flávio da Cunha Resende - Cedeplar/UFMG


Resumo:

O caminho mais seguro para combater a recessão e o desemprego que decorrerão da pandemia em curso passa pela emissão massiva de dívida pública e moeda. Mas a equipe econômica resiste a esta solução. Argumenta-se que a emissão de moeda é inflacionária, enquanto o descontrole da relação dívida pública/PIB reduz a confiança do mercado. Ambas as situações comprometem o crescimento econômico. Estes argumentos se baseiam na hipótese de que o mercado contém todas as informações necessárias para o cálculo estatístico requerido para se prever a trajetória futura de variáveis econômicas. Esta hipótese não é consensual na literatura. Esta nota tem por objetivo demonstrar, com base na Escola Pós-Keynesiana, que durante a recessão, e após sua superação, a emissão de moeda e de dívida não trará os problemas citados, como também é a melhor opção para se combater a recessão econômica e o desemprego.