Defesa de Dissertação do Programa de Pós-Graduação em Demografia/CEDEPLAR/FACE/UFMG. Aluno: Fabiano Neves Alves Pereira

Calendário
Defesas
Data
20.02.2020 2:00 pm - 6:00 pm

Descrição

Defesa de Tese do Programa de Pós-Graduação em Demografia/CEDEPLAR/FACE/UFMG

 

Aluno: Fabiano Neves Alves Pereira

 

Título: “Penalidade Urbana na Mortalidade por Local de Moradia no Brasil: Diferenciais de Mortalidade entre Moradores de Áreas Urbanas em Favelas, Fora de Favelas e de Áreas Rurais”

 

Data da Defesa: 20/02/2020 (Quinta-feira)

Horário: 14h00

 

Orientador:  Prof. Bernardo Lanza Queiroz (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

 

Banca Examinadora:

Prof. Bernardo Lanza Queiroz (Orientador) (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Profa.Diana Reiko Tutiaya Oya Sawyer (IPC-IG UFMG) (Participação por videoconferência)

Prof. Flávio Henrique Miranda de Araújo Freire (UFRN) (Participação por videoconferência)

Prof. Rafael Henrique Moraes Pereira (IPEA) (Participação por videoconferência)

Profa. Waleska Teixeira Caiaffa (Faculdade de Medicina UFMG)

 

Local da Defesa: Auditório nº 2 – Bloco de Seminários - FACE/UFMG - CAMPUS PAMPULHA

 

 

Resumo

Desigualdades geográficas e espaciais no acesso serviços de saúde, na concentração de riscos ambientais, de violência, da oferta de infraestrutura sanitária adequada, de alimentos saudáveis, de espaços de lazer e para realização de atividades físicas correlacionam a região e o local de moradia aos níveis de saúde e mortalidade. Assim, o estudo das disparidades geográficas e regionais no risco de morte é importante por que há evidências da permanência de diferenciais na mortalidade mesmo após o controle de atributos socioeconômicos individuais. Este estudo tem como objetivo principal estimar e discutir diferenciais regionais de mortalidade no Brasil entre moradores de áreas urbanas em favelas, fora de favelas e em áreas rurais e identificar quais grupos etários afetam de maneira mais decisiva as possíveis diferenças existentes entre eles.

A partir dos dados do universo do Censo Demográfico de 2010 para os níveis de setores censitários identificamos moradores de áreas urbanas em favelas utilizando o conceito de Aglomerados Subnormais e os diferenciamos dos moradores de áreas urbanas fora de favelas e de áreas rurais. Agregamos às informações contidas nos dados gerais dos Agregados de Setores Censitários os dados de mortalidade por setor obtidos junto ao IBGE

 

Corrigimos os dados de óbitos por fatores de correção regional sugeridos por Pereira, Queiroz e Freire (2018) e suavizamos as curvas de mortalidade pelo método de Regressão de Topals.  Com isso foi possível a elaboração de Tabelas de Vida por local de moradia para o Brasil e suas Grandes regiões para os moradores de áreas urbanas em favelas, fora de favelas e em áreas rurais a partir das quais obtivemos as probabilidades de morte, medidas de dispersão da mortalidade e a expectativa de vida ao nascer para os três grupos. Aplicamos também o método de decomposição de Arriaga (1984) para identificar o papel das diferenças na mortalidade em cada idade no nível da expectativa de vida entre os grupos.

Os resultados gerados indicam que um morador de favela no Brasil, em 2010, vivia 3 anos a menos que o brasileiro médio e 5 anos a menos que seu correspondente fora de favelas. Entre 15 e 29 anos, o risco de morte de um morador de favela do sexo masculino no país era, em 2010, 72% superior ao de moradores de fora de favelas. Dentre as mulheres essas discrepâncias também são importantes e uma moradora de favela no país vivia, em 2010, 1,5 anos a menos que uma brasileira média e 4,6 anos a menos que mulheres moradoras de fora de favelas. Regionalmente encontramos uma dupla penalidade na mortalidade para homens moradores de áreas de favelas no Nordeste do país. Moradores de favelas nessa região viviam, em 2010, 6,7 anos a menos que o brasileiro médio. Dentre as mulheres, essa penalidade foi observada dentre as moradoras de favelas na região Norte do país cuja diferença na expectativa de vida ao nascer para a brasileira média equivalia a 6,9 anos. Moradores de favelas também apresentam maior dispersão da mortalidade tanto dentre homens com dentre mulheres. No caso masculino, os grupos etários que mais definem as diferenças na expectativa de vida entre moradores de favelas e de áreas urbanas fora de favelas e de áreas rurais são os grupos entre 15 e 29 anos. Já dentre as mulheres, os grupos etários a partir dos 50 anos é que definem de maneira mais direta essas diferenças.

Com isso, o trabalho levou à identificação de uma possível penalidade urbana na mortalidade para moradores de áreas urbanas de favelas no país com a identificação direta dos grupos etários que são mais afetados pela alta mortalidade dos seus locais de moradia e com alto grau de influência no nível geral de mortalidade de seu subgrupo populacional. Isso sugere também que o local de moradia, mesmo depois do controle de alguns efeitos de composição, continua a afetar a mortalidade das pessoas, o que implica em pautar tanto em estudos demográficos quanto de saúde, no contexto brasileiro e também dos países em desenvolvimento de modo mais geral, os mecanismos através dos quais o local interfere nos níveis de bem-estar da população.

Palavras-chave: diferenciais regionais de mortalidade; penalidade urbana na mortalidade; moradores de áreas urbanas em favelas.


ABSTRACT

Geographic and spatial inequalities in access to health services, concentration of environmental risks, violence, provision of adequate health infrastructure, healthy food, leisure facilities and physical activity correlate region and place of residence with of health and mortality. Thus, the study of geographic and regional disparities in the risk of death is important because there is evidence of the persistence of differentials in mortality even after controlling for individual socioeconomic attributes. The main objective of this study is to estimate and discuss regional mortality differentials in Brazil among urban dwellers in slums, outside slums and rural areas and to identify which age groups most decisively affect possible differences between them.

From data from the 2010 Population Census universe for census tract levels, we identified urban dwellers in slums using the concept of Subnormal Agglomerates and differentiated them from urban dwellers outside slums and rural areas. We added to the information contained in the general data of Census Sector Aggregates the mortality data by sector obtained from IBGE. We corrected the death data by regional correction factors suggested by Pereira, Queiroz and Freire (2018) and smoothed the mortality curves by the Topals Regression method. With this, it was possible to elaborate Life Tables by place of residence for Brazil and its Great Regions for the inhabitants of urban areas in favelas, outside favelas and in rural areas from which we obtained the probability of death, measures of dispersal of the population mortality and life expectancy at birth for the three groups. We also applied Arriaga's (1984) decomposition method to identify the role of differences in mortality at each age in the level of life expectancy between the groups.

The results generated indicate that a slum dweller in Brazil, in 2010, lived 3 years less than the average Brazilian and 5 years less than his counterpart outside the favelas. Between 15 and 29 years old, the risk of death of a male slum dweller in the country was, in 2010, 72% higher than that of non-slum dwellers. Among women, these discrepancies are also important and a favela resident in the country lived in 2010 1.5 years less than an average Brazilian and 4.6 years less than women living outside the favelas. Regionally we find a double mortality penalty for men living in slum areas in the northeast of the country. Slum dwellers in this region lived in 2010 6.7 years less than the average Brazilian. Among women, this penalty was observed among slum dwellers in the northern region of the country whose difference in life expectancy at birth for the average Brazilian woman was 6.9 years. Slum dwellers also have greater dispersion of mortality among both men and women. In the male case, the age groups that most define the differences in life expectancy between slum dwellers and non-slum urban areas and rural areas are the 15-29 age group. Among women, however, age groups from 50 years of age define these differences more directly.

Thus, the work led to the identification of a possible urban mortality penalty for urban slum dwellers in the country with the direct identification of the age groups that are most affected by the high mortality of their dwelling places and with a high degree of influence on the population overall mortality level of its population subgroup. This also suggests that the place of residence, even after controlling for some compositional effects, continues to affect people's mortality, which implies that both demographic and health studies are conducted in the Brazilian context and also in developing countries more generally, the mechanisms by which the place interferes with the welfare levels of the population.

Keywords: regional mortality differentials; urban penalty on mortality; urban dwellers in slums.