Defesa de Dissertação de CAROLINA CHAGAS BRANDÃO DE MORAIS - Curso: Mestrado em Demografia

Calendário
Defesas
Data
17.06.2019 9:30 am - 1:00 pm

Descrição

Defesa de Dissertação do Programa de Pós-Graduação em Demografia/CEDEPLAR/FACE/UFMG

 

Aluna: Carolina Chagas Brandão de Morais

 

Título: “Diferenciais de mortalidade adulta por nível de renda no estado de São Paulo: variações por sexo e fase do ciclo de vida, a partir de três estratégias de imputação”

 

Data da Defesa: 17/06/2019 (segunda-feira)

 

Horário: 09h30

 

Orientador:       Prof. Cássio Maldonado Turra (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Coorientadora: Profa. Mirian Martins Ribeiro (UFOP)

 

Banca Examinadora:            

Prof. Cássio Maldonado Turra (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Profa. Mirian Martins Ribeiro (UFOP)

Profa. Simone Wajnman (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Profa. Diana Reiko Tutiya Oya Sawyer (IPC - UN) (Participação por Videoconferência)

 

Local da Defesa: Auditório nº 4 – Bloco de Seminários - FACE/UFMG - CAMPUS PAMPULHA

  

RESUMO:

A renda é uma variável que exerce notórias influências sobre a mortalidade (Wilkinson, 1990, p. 408). Não obstante exista uma vasta quantidade de estudos que explorem, para países desenvolvidos, a relação entre as duas variáveis, a literatura nesse campo ainda é muito incipiente para países em desenvolvimento, com destaque para o Brasil. A grande dificuldade em produzir análises dessa relação, no caso brasileiro, consiste na escassez de dados (microdados) consistentes e confiáveis para a geração de estimativas robustas. A inclusão de uma pergunta no Questionário da Amostra do Censo Demográfico Brasileiro de 2010, relacionada ao status de óbito de um indivíduo dentro do domicílio, ampliou as possibilidades de estudos sobre o tema, permitindo identificar e desagregar, para um mesmo domicílio, pessoas vivas e mortas, além de características específicas respectivas ao sexo e idade das mesmas. Nesse sentido, o objetivo desta dissertação foi investigar os diferenciais de renda na mortalidade, considerando três grandes grupos do ciclo de vida adulta: 25 a 44 anos, 45 a 64 anos e 65 anos e mais. Diante da restrição de haver no Censo, para os indivíduos que vieram a óbito, apenas informações de sexo e idade, foi selecionada uma amostra para o estado de São Paulo a fim de imputar as informações da renda pessoal, renda domiciliar per capita e percentis da renda domiciliar per capita para estes indivíduos. Para tanto, foram escolhidos dois métodos: imputação via Predictive Mean Matching (PMM) e imputação através de um modelo multivariado normal (MVN) usando o algoritmo Expectation-Maximization (EM). Posterior às imputações, procedeu-se ao cálculo das taxas de mortalidade por idade, sexo e renda a partir dos coeficientes advindos das regressões de Poisson e das regressões Binomiais Negativas. A análise considerando os grandes grupos do ciclo de vida adulta, desagregados por sexo, aponta para a existência de uma desigualdade maior em termos de mortalidade por renda entre os mais jovens e as mulheres, além de haver uma maior vantagem no limite da calda direita dos percentis mais altos. Espera-se que, futuramente, análises como esta possam ser reproduzidas para as demais Unidades da Federação, contribuindo para a melhor compreensão do gradiente socioeconômico na mortalidade em um país profundamente desigual, e podendo servir de subsídio às políticas públicas no que tange a intervenções para reduzir os efeitos das disparidades socioeconômicas no Brasil – sobretudo em um contexto de avanço do processo de transição demográfica.

ABSTRACT:

The income is a variable that exerts profound influences on mortality (Wilkinson, 1990, p. 408). Notwithstanding there is a huge amount of studies that explores, for developed countries, the relation between these two variables, the literature on this field, for developing countries, is still very incipient, like for Brazil. The biggest difficulty in producing such analysis in Brazil consist on the lack of consistent and reliable data (microdata) that allow the development of robust estimates. The inclusion of a question in the Brazilian 2010 demographic census’ sample questionnaire related to the death status of a person inside a household has broaden the possibilities of studying the theme, allowing the researcher to identify and disaggregate, for the same household, people either alive or dead, and specific characteristics related to their sex and age. In this sense, the aim of the thesis was to investigate the socioeconomic differentials in mortality, regarding three big groups of the adult life cycle: 25 to 44 years, 45 to 64 years and 65 years and more. Facing the restriction imposed by the Census, which has only information about sex and age for individuals who have died, a sample was selected from the State of Sao Paulo in order to impute personal income, per capita household income and per capita household income’s percentiles for these individuals. Two methods were chosen: imputation by Predictive Mean Matching (PMM) and imputation through a normal multivariate model (MVN) using the Expectation-Maximization (EM) algorithm. After the imputations, the mortality rates by age, sex and income were calculated from the coefficients derived from the Poisson and the Negative Binomial regressions. The analysis considering the big groups of the adult life cycle, disaggregated by sex, points to the existence of a greater inequality in terms of mortality by income between the youngest and the women, besides having a greater advantage on the right limit of the higher percentiles. It is expected that, in the future, such analysis can be reproduced for the other Brazilian states. Studies like this aim to contribute to better understand the socioeconomic gradient in mortality in a deeply unequal country and may serve as a subsidy to public policies regarding interventions to reduce the effects of socioeconomic disparities in Brazil – especially in a context of advancing the demographic transition’s process.