Defesa de Tese de JANAÍNA TEODORO GUIGINSKI - Curso: Doutorado em Demografia

Calendário
Defesas
Data
31.05.2019 2:00 pm - 6:30 pm

Descrição

Defesa de Tese do Programa de Pós-Graduação em Demografia/CEDEPLAR/FACE/UFMG

  

Aluna: Janaína Teodoro Guiginski

 

Título: “O prêmio salarial masculino do casamento no Brasil”

 

Data da Defesa: 31/05/2019 (Sexta-feira)

Horário: 14h00

 

Orientadora:     Profa. Simone Wajnman (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Coorientadora: Profa. Flávia Lúcia Chein Feres (UFJF)

 

Banca Examinadora:     

Profa. Simone Wajnman (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Profa. Flávia Lúcia Chein Feres (UFJF)

Prof. Gilvan Ramalho Guedes (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Prof. Eduardo Luiz Gonçalves Rios Neto (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Profa. Maria Carolina Tomás (PUC Minas)

Profa. Regina Carla Madalozzo (INSPER/SP) (Participação por Videoconferencia)

 

Local da Defesa: Auditório nº 4 – Bloco de Seminários - FACE/UFMG - CAMPUS PAMPULHA

  

RESUMO:

O objetivo principal da tese é analisar a associação entre o casamento e a coabitação e o rendimento do trabalho masculino no Brasil. Em geral, observam-se rendimentos mais elevados para os homens casados do que para os homens solteiros no mercado de trabalho, fenômeno conhecido como “prêmio salarial masculino do casamento”. Os objetivos específicos são verificar a existência de prêmios do casamento e da coabitação para homens brasileiros; analisar prêmios e penalidades associadas às características produtivas das esposas/parceiras; e, identificar explicações potenciais que fazem sentido para o contexto brasileiro. As motivações do estudo relacionam-se à revolução de gênero incompleta e à persistência das desigualdades por sexo no mercado de trabalho, em que mulheres são penalizadas e homens são premiados por terem filhos e cônjuges. Defende-se que a inclusão da perspectiva masculina nas discussões sobre família e trabalho enriquece o debate sobre igualdade de gênero. As análises consideram informações do Censo Demográfico de 2010 para homens adultos, urbanos e ocupados.

Os resultados confirmam a existência do prêmio do casamento e, em menor magnitude, da coabitação para os homens brasileiros. Regressões quantílicas e por nível de riqueza indicam que ambos os prêmios aumentam com o nível socioeconômico, com diferenças crescentes entre casamento e coabitação. Decomposições mostram que os prêmios devem-se à estrutura salarial e não a efeitos de composição. Análises por posição na ocupação refutam a ideia da discriminação do empregador como mecanismo principal para os maiores rendimentos de casados e unidos. Estimativas com correção do viés de seleção no estado conjugal apontam que o papel da seletividade é relativamente pequeno para o prêmio do casamento e não explica o prêmio da coabitação, já que os homens em união consensual são negativamente selecionados neste estado conjugal. Associação positiva entre rendimentos masculinos e trabalho remunerado da esposa/parceira para os mais pobres é compatível com a ideia de homogamia por produtividade. Entre os mais ricos, esta associação é negativa, possivelmente devido ao efeito renda. Para a escolaridade da mulher, a associação com os rendimentos masculinos é expressiva e sempre positiva, resultado favorável ao argumento do capital humano compartilhado.

Conhecer os possíveis mecanismos por trás dos prêmios do casamento e da coabitação pode ajudar a reconhecer tendências futuras quanto à produtividade e desigualdades por sexo no mercado de trabalho. Se o menor prêmio da coabitação deve-se à menor especialização no domicílio, pode-se esperar que um aumento nos níveis de união consensual resulte em redução das desigualdades de gênero, tanto nas famílias quanto no mercado de trabalho. Se os prêmios são derivados da maior produtividade/especialização, a igualdade de gênero e o aumento da participação feminina no mercado de trabalho podem ter o efeito secundário de diminuir a produtividade dos homens casados. Por outro lado, a perspectiva é mais otimista se considerarmos que os prêmios do casamento e da coabitação são conduzidos pelo capital humano compartilhado dos cônjuges. Aumentos na escolaridade feminina e a busca por carreiras profissionais podem beneficiar tanto as mulheres quanto os homens que estas escolherem para formar uma família.

 ABSTRACT:

The main objective of the thesis is to analyze the association between marital status and men’s earnings in Brazil. Overall, married men have higher earnings than their single counterparts. This phenomenon has been called the “male marriage wage premium”. More specifically, this article seeks to verify if there is a premium for marriage and cohabitation for Brazilian men; to examine premiums and penalties  associated with the characteristics of wives/partners; and, to identify potential explanations applicable for the Brazilian context. The motivations of this study are related to the incomplete gender revolution and the persistence of gender inequalities in the labor market, with women being penalized and men being rewarded for having children and spouses. It is argued that the debate on gender equality is enhanced by the inclusion of a masculine perspective in discussions about family and work. The analyses consider information on adult, urban and occupied men from the 2010 Brazilian Census.

Results confirm the existence of a marriage premium and, to a lesser extent, a cohabitation premium for Brazilian men. Quantile regression and estimates by socioeconomic status indicate that both premiums increase with socioeconomic level, with increasing differences between marriage and cohabitation. Decomposition of earnings differentials show that marriage and cohabitation premiums are due to the wage structure, not to the composition effects. Estimates by class of worker refute the argument of employer discrimination as primary explanation for the higher earnings of married and cohabitating men. Estimates with selection bias correction for marital status indicate that selectivity has a small effect on the marriage premium and does not explain the cohabitation premium, since men in consensual union are negatively selected in this marital status. There is a positive association between male earnings and a working wife/partner amongst the poorest which is compatible with the idea of positive assortative mating. Among the richest, this association is negative, possibly due to the income effect. For wife/partner's educational attainment, the association with male earning is expressive and always positive, consistent with the joint human capital hypothesis.

Understanding the possible mechanisms behind marriage and cohabitation premiums can help to recognize trends in productivity and gender inequalities in the labor market. If the lower cohabitation premium is due to lower household specialization, it can be expected that an increase in cohabitation rates will reduce gender inequalities, both in families and in the labor market. If the marriage premium arises from the productivity/specialization hypothesis, gender equality and increased female labor market participation may have the secondary effect of decreasing the productivity of married men. On the other hand, the prospect is more optimistic if we consider that the marriage and cohabitation premiums are led by the joint human capital of the spouses. In this case, the pursuit of professional careers and increasing female education level can benefit both women and men.