Calendário:
Defesas
Data:
08.05.2017 9:30 am - 1:30 pm

Descrição

Aluna: Juliana Vasconcelos de Souza Barros

Título: “Estratégias reprodutivas e evolução da fronteira agrícola: um estudo qualitativo para Machadinho d’Oeste, Rondônia”

Data da Defesa: 08/05/2017

Horário: 09h30

Orientadora:     Profa. Laura Lídia Rodríguez Wong (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Coorientador:   Prof. Alisson Flávio Barbieri (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

 

Banca Examinadora:     

Profa. Laura Lídia Rodríguez Wong (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Prof. Alisson Flávio Barbieri (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Profa. Ana Paula de Andrade Verona (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Profa. Paula de Miranda Ribeiro (CEDEPLAR/FACE/UFMG)

Prof. Donald Rolfe Sawyer (Instituto Sociedade, População e Natureza/ISPN)

Prof. John Marion Sydenstricker Neto (Universidade Presbiteriana Mackenzie/UPM)

 

Local da Defesa: Auditório nº 3 – Bloco de Seminários - Prédio da FACE/UFMG - CAMPUS PAMPULHA

 

RESUMO:

Esta tese analisa as estratégias reprodutivas de duas coortes de mulheres em uma região de fronteira agrícola na Amazônia brasileira. Por estratégia reprodutiva, entende-se a adoção de determinado comportamento reprodutivo e contraceptivo segundo as possibilidades e adversidades oferecidas no contexto da fronteira. O objetivo é avaliar, dentro da dinâmica populacional da fronteira, as mudanças nas estratégias reprodutivas e contraceptivas ao longo do processo de evolução de uma região de fronteira agrícola. No momento inicial de abertura da fronteira, não havia uma infraestrutura sólida que permitisse à geração pioneira de mulheres acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva, essenciais para definição e implementação das estratégias reprodutivas. Além disso, as condições sociais e econômicas encontradas naquele momento podem também ter refletido nas decisões dessas mulheres. Nas fases mais avançadas, a evolução e o desenvolvimento socioeconômico da fronteira trazem novas variáveis ao contexto estudado, que podem ter influência na definição de um comportamento reprodutivo diferente pelas novas gerações. Assim, as distintas condições socioeconômicas que os estágios de evolução da fronteira oferecem tornariam as estratégias reprodutivas diferenciadas, de forma que as decisões tomadas seriam diferentes nas fases iniciais e nas mais avançadas da fronteira. Para avaliar as mudanças no comportamento reprodutivo, realizou-se um estudo qualitativo em Machadinho d’Oeste, Rondônia, um município que se originou dos projetos de assentamento para ocupação da fronteira na Amazônia brasileira. Foram realizadas 60 entrevistas em profundidade com mulheres que viveram seu período reprodutivo ou nos estágios iniciais ou nos mais avançados de evolução da fronteira, criando-se dois grupos de comparação. Os resultados apontam que não haveria uma relação direta entre uso da terra e número de filhos, não obstante o que aponta a literatura. Entre as mulheres dos estágios iniciais, as estratégias reprodutivas eram definidas segundo as restrições econômicas e a ausência de serviços de saúde sexual e reprodutiva; elas desejavam poucos filhos, mas tinham mais do que queriam por falta de conhecimento e dificuldades no planejamento da fecundidade. Entre as mulheres dos estágios mais avançados da fronteira, a definição das estratégias ocorrerem em um contexto diferente, mas também há o desejo por poucos filhos e elas são mais bem-sucedidas na implementação das preferências. Elas possuem maior acesso e conhecimento quanto à contracepção e a motivação por menos filhos passa por questões como trabalho e escolaridade. Apesar das diferenças, em ambos os perfis a união e a maternidade ocorrem em idades jovens, há uma razoável proporção de gravidezes que ocorrem por falha contraceptiva e elevado índice de realização de laqueadura. 

ABSTRACT:

This thesis analyzes the reproductive strategies of two sets of women in the agricultural frontier in the Brazilian Amazon. For reproductive strategy, it is understood that certain reproductive and contraceptive behaviors are adopted, according to the possibilities and adversities offered in the context of the frontier. The objective is to evaluate, within the population dynamics of the frontier, the changes in reproductive and contraceptive strategies throughout the process of evolution within an agricultural frontier region. At the time of the opening of the frontier, there was no solid infrastructure to enable the pioneering generation of women to access sexual and reproductive health services, which are essential for the definition and implementation of reproductive strategies. In addition, the social and economic conditions found initially also may have been reflected in the decisions of these women. In the more advanced stages, the evolution and socioeconomic development of the frontier brought new socioeconomic variables to the context being studied, which can have an influence in the definition of the female reproductive behavior of the new generations. Thus, the different conditions that the evolutionary stages of the frontier offer would make the reproductive strategies different from one another, so that the decisions taken would be different in the initial and the most advanced stages of the frontier. A qualitative study was developed in Machadinho d'Oeste, Rondônia, a municipality that originated from settlement projects to occupy the Brazilian Amazon. 60 in-depth interviews were conducted with women who lived their reproductive period either in the initial or more advanced stages of frontier evolution, creating two comparison groups. The results indicate that there is no direct relationship between land use and number of children, despite what the literature claims. Among women in the first stages, reproductive strategies were defined according to economic constraints and the absence of sexual and reproductive health services; they wanted few children, but they had more than they wanted, because of a lack of knowledge and difficulties in fertility planning. Among women in the more advanced stages of the frontier, the definition of strategies occurs in a different context, but there is also a desire for few children, and they are more successful in implementing preferences. They have greater access to and knowledge about contraception and the motivation for fewer children goes through issues, such as work and schooling. Despite the differences, in both profiles union and childbearing occur at young ages, and there is both a reasonable proportion of pregnancy due contraceptive failure and a high rate of female surgical sterilization.